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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Klaxons - Landmarks Of Lunacy EP


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Para terminar este 2010, a banda que mais me desapontou este ano, lançou um EP no dia de Natal em jeito de palmadinhas nas costas a dizer "vá, se não gostaste do que te fizemos, toma lá isto que é Natal". Obrigado meus queridos Klaxons. Lunacy Of Landmarks EP foi lançado e felizmente, está numa linha temporal muito diferente do fabrico do Surfing The Void. E melhor que isto é ter sido gravado em 2008 com o grande James Ford, produtor do álbum de estreia Myths Of The Near Future e metade dos Simian Mobile Disco.

Não consegui descortinar ao certo se as 5 faixas que compõem o EP fariam parte daquele que veio a ser o álbum rejeitado pelos filhos da p*ta da Polydor. Aquele suposto álbum psicadélico rejeitado que obrigou a banda de Londres a mudar o rumo sonoro. Não sei se fazem parte ou não, mas reconheço algum caminho com destino nesse mesmo sítio. Já há algum psicadelismo, não propriamente à paisana, mas há sonoridades capazes de fazer uma pessoa débil ter um ataque epiléptipo. Mas não interessa, os Klaxons voltaram a ganhar alguma da credibilidade que eu lhes tinha dado nos tempos de The Bouncer e que me fizeram (muito) orgulhoso aquando do lançamento do Myths Of The Near Future. O Lunacy Of Landmarks é uma peça importante para conhecer os Klaxons perdidos. Sim, perdidos porque isto são os Klaxons de 2008. Não de 2010, apesar de o lançamento ser já em 2010.

Mas falando de coisas que realmente interessam, o EP é composto por 5 belas faixas, que não vão cheirar nada ao baú do nu-rave. Mas sim ao fatalismo que tinha ficado no disco de estreia. À primeira audição vai parecer que falta alguma coisa, porque parece mesmo que os rapazinhos cresceram e deixaram o modo punk do lado de lá da porta do estúdio. Mas no final não tinham crescido. Tinham era toneladas de "sedativos" no corpo. Em Landmarks Of Lunacy vemos uns Klaxons em busca da harmonia, e chegam mesmo a atingi-la. Falo principalmente de Ivy Leaves e Wildeflower. Ivy Leaves é uma senhora obra-prima. Movimentos oscilantes em torno dum orgasmo sonoro que não se chega a atingir. Soa ligeiramente a um experimental perdido entre um bosque de Blairwitch Project e uma manhã de nevoeiro numa cidade fantasma.

Wildeflower é feita em marcha, uma marcha feita também num local sombrio. Ao que parece a sonoridade e todo o "liricismo" existente no EP também toma o mesmo rumo, vai tudo parar a uma zona mais sombria. Não parecem os mesmos rapazes de Atlantis To Interzone, parecem mais os rapazes que depois da Four Horsemen of 2012 ficaram sem fôlego. Mas toda a Wildeflower é perfeita. Não existe qualquer aproximação ao Surfing The Void, por mais estranho que pareça. O EP fica aquém das expectativas de quem espera um "Klaxons continue", mas para quem sempre sonhou em meter ouvidos num "Klaxons reinvente themselves" cai que nem ginjas. Todo o down-tempo que existe à volta do Landmarks Of Lunacy pode parecer pouco excitante. Quer dizer, ao vivo também não posso dizer que não o seja, mas pelo menos aqui é reconfortante. É sombrio, e é perfeito. Obrigado.

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