
8,5
Melhor Música Nova
O meu primeiro contacto com os Blá Blá Blá já remonta ao dia da primeira compilação do Movimento Alternativo Rock, e nessa altura destaquei-os no meio de nomes como Nervo e os Maçã de Prata. Passado mais de um ano, a banda de Esposende edita agora um EP intitulado O Meu Nome É Todas As Palavras Que Conheces. Um EP sobretudo interessante quando olhamos para os Blá Blá Blá de antigamente e para os de agora. O que antes se assemelhava a um belo e bem sucedido rip-off de pop/rock mainstream (falo de A 2 Passos Do Abismo) passou agora por uma grande transformação e hoje são donos de composições como Casulo.
Casulo que é a faixa que abre o EP, é de facto alguma coisa. O início da faixa diz-me alguma coisa: com uma intro um pouco paranóica de deixar alguém perdido nas brincadeiras stereo mas que sabe muito bem quando dá o pontapé de saída para a percursão que aqui se apresenta meio agressiva/meio avant de tanto break desapercebido que se sente. Assim que a voz entra, faz-se um clique, soa-me a Pedro Laginha dos Mundo Cão misturado com uns Linda Martini ainda mais frustrados com a vida. Gosto especialmente do refrão por ter toda aquela junção de breaks inesperados e guitarras apocalípticas. Em Porta, a banda altera completamente o seu estado anterior. Agora a posição vocal à la Laginha dos Mundo Cão perde um pouco a sua potência. Anteriormente via-se uma desconexão bonita entre as linhas vocais e as linhas instrumentais, mas agora seguindo a mesma montagem, já não tem o mesmo efeito, sentindo-se o efeito demasiado deliberadamente provocado do que simplesmente deixar a coisa fluir. Depois do primeiro refrão, a junção de saxofone com a bateria trabalhada (a qual não me vou cansar de elogiar) sabe a tão pouco. Isto porque soa a um jazz fusion perfeito mas de tão pequeno que é quase que é tirar um rebuçado a uma criança. Queria decididamente mais.
Para Onde Foi O Amor é a faixa lo-fi do disco. Tem o seu quê de épico porque pelo menos para mim soa um pouco à mistura dos japoneses Mono com o In Rainbows dos Radiohead, e isso não se vê todos os dias. Dúvido muito que a banda se tenha lembrado destas referências, mas acaba sempre por ser mais bonito quando sai tudo sem pensar muito no momento. Revista Cor de Rosa remete-nos para mais e maior agressividade que assim à primeira vista me relembra dos Muse dos tempos do Showbiz. Nada de muito elaborado, simplesmente rock puro e crú. Esvoaça pelo contrário parece que foi a faixa que mais tempo demorou a concluir em estúdio devido a todos os seus pormenores, que se encontram todos no sítio certo. Aqui há alguma disparidade relativamente a qual é que é a melhor composição d'O Meu Nome É Todas As Palavras Que Conheces: Casulo é a faixa que fica no ouvido, mas Esvoaça roça um pouco a perfeição. Não há palavras para isto.
E para terminar o registo, a faixa que dá o nome ao EP, O Meu Nome É Todas As Palavras Que Conheces, com uma duração de sensivelmente 7min, é a derradeira tentativa de trazer o devido reconhecimento aos Blá Blá Blá. É o registo mais progressivo do EP e todo ele é bem estruturado. Aqui sim as semelhanças com Linda Martini estão todas bem fundamentadas. É de referir que aqui os Blá Blá Blá estão (outra vez) a roçar a perfeição. E assim que termina o disco considerei fortemente a hipótese de uma boa parte do futuro da música portuguesa cantada em português poder passar pela banda de Esposende. Para um EP estão (muito) bem munidos de armas sonoras que lhes podem valer algum estrelato por entre a massa que se apercebe da boa música que é tocada em Portugal. Depois da tal compilação do MAR, os Blá Blá Blá evoluiram tanto que agora quase que se encontram sozinhos no caminho. Apartir daqui só me resta dar-lhes os parabéns por este EP e desejar-lhes boa sorte para o que ainda está para vir.

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