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Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

Sonic Youth @ Coliseu dos Recreios

Ouvir uns quantos velhotes dar umas guitarradas como se estivessem na flor da idade deixa-me sempre a coçar a cabeça. Mas quem disse que os Sonic Youth não estão na flor da idade? Quando aqueles cinco entraram pelo coliseu adentro ouviu-se uma imediata ovação, mais forte e emotiva que o normal: porque para meros leigos como eu, ver uns indivíduos que já tocaram para gerações, que influenciaram milhões de pessoas por este mundo fora deixa-nos como uma forte sensação de impotência e admiração. E, claro está, para os mais velhos, fica o eterno sentimento de reminiscência de quando eles próprios mudaram o mundo.

E ali estavam eles, frescos como sempre, com uma energia esmagadora (devo dizer que a Kim Gordon me proporcionou um belo momento de histerismo interior) que se demonstrava não pela forma como saltavam ou animavam o público – porque disso não ouve, e também não fez falta nenhuma – mas pela paixão como apunhalavam os instrumentos, concentrados neles, e só neles, e transmitiam todo o savoir-faire acumulado numa história de êxitos.

O alinhamento 99% The Eternal não me caiu muito bem. Os concertos de Espanha acalentaram a esperança de presenciar um Greatest Hits da banda, mas parece que estávamos com azar. Para alguns não foi necessariamente mau, e embora tenha alta estima pelo mais recente álbum dos senhores, faltavam-me uma Teenage Riot e um Silver Rocket para me fazer a noite. Mas depois da terceira música perdi a esperança de alinhamento à espanhola, e apreciei uma boa noite, recheada de solos, instrumentais que nos deixaram de boca aberta e um Thurston Moore a abraçar a plateia. Por entre umas cotoveladas, uma Anti-Orgasm, uns empurrões e uma Massage the History, lá fui tendo uma espantosa visão de segunda fila da mestria instrumental destes senhores. Devo dizer que público que me rodeava não soube aproveitar, chegando ao ridículo de fazer crowd surf em plena Shadow of a Doubt.

Ver Sonic Youth era um dos muitos desejos que tinha que concretizar antes de morrer. Mesmo que seja para repetir, muitas e muitas vezes, enquanto a Kim, o Thurston e companhia me quiserem aturar (felizmente “reforma” parece não constar dos seus vocabulários), acho que posso cortar esse desejo da lista.


por Ana Rita Almeida

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